sexta-feira, 4 de abril de 2014

O ministério leigo na Igreja

Exortação Apostólica Evangelii Gaudium – “A Alegria do Evangelho”
(Papa Francisco) 2013

99. “Aos cristãos de toda comunidade do mundo, quero pedir-lhes de modo especial um testemunho de comunhão fraterna, que se torne fascinante e resplandescente. Que todos possam admirar como vos preocupais uns pelos outros, como mutuamente vos encorajais, animais e ajudais: 'Por isso é que todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros' (Jo 13, 35). Foi o que Jesus, com uma intensa oração, pediu ao Pai: 'Que todos sejam um só […] em nós [para que] o mundo creia' (Jo 17, 21). Cuidado com a tentação da inveja. Estamos no mesmo barco e vamos para o mesmo porto! Peçamos a graça de nos alegrarmos com os frutos alheios, que são de todos.



Escutatória (Rubem Alves)
Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular. Escutar é complicado e sutil. Diz Alberto Caeiro que “não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma”. Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Para se ver, é preciso que a cabeça esteja vazia.
Parafraseio o Alberto Caeiro: “Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito; é preciso também que haja silêncio dentro da alma”. Daí a dificuldade: a gente não aguenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer.
Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor. Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos…
Tenho um velho amigo, Jovelino, que […] contou-me de sua experiência com os índios. Reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio. Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala. Todos ouvem.
Terminada a fala, novo silêncio. Falar logo em seguida seria um grande desrespeito, pois o outro falou os seus pensamentos, pensamentos que ele julgava essenciais. São me estranhos. É preciso tempo para entender o que o outro falou. Se eu falar logo a seguir, são duas as possibilidades.
Primeira: “Fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade, não ouvi o que você falou. Enquanto você falava, eu pensava nas coisas que iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado”.
Segunda: “Ouvi o que você falou. Mas isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou”.
Em ambos os casos, estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada. O longo silêncio quer dizer: “Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou”. E assim vai a reunião.
Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia. Eu comecei a ouvir.
Fernando Pessoa conhecia a experiência, e se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras, no lugar onde não há palavras. A música acontece no silêncio. A alma é uma catedral submersa.
No fundo do mar – quem faz mergulho sabe – a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos. Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia, que de tão linda nos faz chorar. Para mim, Deus é isto: a beleza que se ouve no silêncio. Daí a importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também. Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

DECRETO APOSTOLICAM ACTUOSITATEM SOBRE O APOSTOLADO DOS LEIGOS

Importância e atualidade do apostolado dos leigos na vida da Igreja

1. O sagrado Concílio, desejando tornar mais intensa a atividade apostólica do Povo de Deus, volta-se com muito empenho para os cristãos leigos, cujo apostolado deriva da própria vocação cristã. A Sagrada Escritura demonstra abundantemente como foi espontânea e frutuosa esta atividade no começo da Igreja (At 11, 19-21: 18, 26; Rm. 16, 1-16; Fl. 4, 3).
Os nossos tempos exigem dos leigos um apostolado cada vez mais intenso e universal. O aumento crescente da população, o progresso da ciência e da técnica, as relações mais estreitas entre os homens, não só dilataram imenso os campos do apostolado dos leigos, em grande parte acessíveis só a eles, mas também suscitaram novos problemas como o afastamento da ordem ética e religiosa. Além disso, em muitas regiões onde os sacerdotes são poucos, a Igreja dificilmente poderia estar presente e ativa sem o trabalho dos leigos. 
CAPÍTULO I: A VOCAÇÃO DOS LEIGOS AO APOSTOLADO
Participação dos leigos na missão da Igreja
2. A Igreja nasceu para tornar todos os homens participantes da redenção salvadora, dilatando pelo mundo o reino de Cristo para glória de Deus Pai. Toda a atividade do Corpo místico que a este fim se oriente, chama-se apostolado. A Igreja exerce-o de diversas maneiras, por meio de todos os seus membros, já que num corpo vivo nenhum membro tem um papel meramente passivo. A Igreja, corpo de Cristo, “cresce segundo a operação própria de cada um dos seus membros” (Ef 4, 16). Não aproveita nem à Igreja nem a si mesmo aquele membro que não trabalhar para o crescimento do corpo, segundo a própria capacidade.
Existe na Igreja diversidade de funções, mas unidade de missão. Aos Apóstolos e seus sucessores, confiou Cristo a missão de ensinar, santificar e governar em seu nome e com o seu poder. Os leigos têm um papel próprio a desempenhar que é dar claro testemunho de Cristo e contribuir para a salvação dos homens. Eles são chamados por Deus para, cheios de fervor cristão, exercerem como fermento o seu apostolado no meio do mundo.
Fundamentos do apostolado dos leigos
3. O dever e o direito ao apostolado advêm aos leigos da sua mesma união com Cristo cabeça. Com efeito, inseridos pelo Batismo no Corpo místico de Cristo, e robustecidos pela Confirmação com a força do Espírito Santo, é pelo Senhor mesmo que são destinados ao apostolado. Os sacramentos, sobretudo a sagrada Eucaristia, comunicam e alimentam neles aquele amor que é a alma de todo o apostolado. O apostolado exercita-se na fé, na esperança e na caridade, virtudes que o Espírito Santo derrama no coração de todos os membros da Igreja.
A espiritualidade dos leigos em ordem ao apostolado
4. A fonte e origem de todo o apostolado da Igreja é Cristo, enviado pelo Pai. A fecundidade do apostolado dos leigos depende da sua união vital com Cristo, segundo as palavras do Senhor: “aquele que permanece em mim e em quem eu permaneço, esse produz muito fruto; pois, sem mim, nada podeis fazer” (Jo 15, 5). Esta vida de íntima união com Cristo na Igreja é alimentada pelos auxílios espirituais comuns a todos os fiéis e, de modo especial, pela participação ativa na sagrada Liturgia; e os leigos devem servir-se deles de tal modo que, desempenhando corretamente as diversas tarefas terrenas nas condições ordinárias da existência, não separem da própria vida a união com Cristo. 
É por este caminho que os leigos devem avançar na santidade com entusiasmo e alegria, esforçando-se por superar as dificuldades com prudência e paciência. Nem os cuidados familiares nem outras ocupações profanas devem ser alheias à vida espiritual, conforme aquele ensinamento do Apóstolo: “tudo o que fizerdes, por palavras ou por obras, tudo seja em nome do Senhor Jesus Cristo, dando por Ele graças a Deus Pai” (Cl 3, 17). Esta vida exige o exercício constante da fé, da esperança e da caridade.
Só com a luz da fé e a meditação da palavra de Deus pode alguém reconhecer sempre e em toda a parte a Deus no qual “vivemos, nos movemos e existimos” (At 17, 28), procurar em todas as circunstâncias a Sua vontade, ver Cristo em todos os homens, quer chegados quer estranhos.
Impelidos pela caridade que vem de Deus, praticam o bem com relação a todos, sobretudo para com os irmãos na fé (Gl 6, 10), despojando-se “de toda a malícia e engano, hipocrisias, invejas e toda a espécie de maledicências” (1Pd 2, 1), atraem a Cristo todos os homens. O amor de Deus que “foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo” (Rm 5, 5), toma os leigos capazes de exprimir na própria vida o espírito das Bem-aventuranças. Seguindo a Cristo pobre, nem se deixam abater com a falta dos bens temporais nem se exaltam com a sua abundância; imitando a Cristo humilde, não são cobiçosos da glória vã (Gl 5, 26), mas procuram mais agradar a Deus que aos homens, sempre dispostos a deixar tudo por Cristo (Lc 14, 26). Finalmente, fomentando entre si a amizade cristã, prestam-se mutuamente ajuda em todas as necessidades.
Esta espiritualidade dos leigos deverá assumir características especiais, conforme o estado de civil ou familiar, situação de enfermidade, atividade profissional e social. Tenham também muito apreço à competência profissional, o sentido de família e o sentido cívico e as virtudes próprias da convivência social, como a honradez, o espírito de justiça, a sinceridade, a amabilidade, a fortaleza de ânimo, sem as quais também se não pode dar uma vida cristã autêntica.
O modelo perfeito desta vida espiritual e apostólica é a bem-aventurada Virgem Maria, rainha dos Apóstolos que se manteve unida a seu Filho e, de modo singular, cooperou na obra do Salvador.
CAPÍTULO II: OS FINS DO APOSTOLADO DOS LEIGOS
Introdução: a obra de Cristo e da Igreja
5. A obra redentora de Cristo, que por natureza visa salvar os homens, compreende também a restauração de toda a ordem temporal. Por este motivo, os leigos, realizando esta missão da Igreja, exercem o seu apostolado tanto na Igreja como no mundo, tanto na ordem espiritual como na temporal. O próprio Deus pretende reintegrar, em Cristo, o universo inteiro, numa nova criatura, plenamente no último dia. O leigo, que é simultaneamente fiel e cidadão, deve sempre guiar-se, em ambas as ordens, por uma única consciência, a cristã.
O apostolado para a evangelização e santificação do mundo
6. A missão da Igreja tem como fim a salvação dos homens, a alcançar pela fé em Cristo e pela sua graça. Isso se realiza sobretudo por meio do ministério da palavra e dos sacramentos, especialmente confiado ao clero, no qual também os leigos têm grande papel a desempenhar, para se tornarem “cooperadores da verdade” (3Jo 8). É sobretudo nesta ordem que o apostolado dos leigos e o ministério pastoral se completam mutuamente.
Inúmeras oportunidades se oferecem aos leigos para exercerem o apostolado de evangelização e santificação. O próprio testemunho da vida cristã e as obras, feitas com espírito sobrenatural, têm eficácia para atrair os homens à fé e a Deus; diz o Senhor: “Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, de modo que vejam as vossas boas obras e doem glória ao vosso Pai que está nos céus” (Mt 5, 16).
O apostolado, contudo, não consiste apenas no testemunho da vida; o verdadeiro apóstolo busca ocasiões de anunciar Cristo por palavra. As palavras do Apóstolo: “ai de mim, se não prego o Evangelho” (1Cor 9,16) devem encontrar eco no coração de todos. 
E dado que no nosso tempo surgem novos problemas que ameaçam subverter a religião, a ordem moral e a própria sociedade humana, este sagrado Concílio exorta ardentemente os leigos a que, na medida da própria capacidade e conhecimentos, desempenhem com mais diligência a parte que lhes cabe na elucidação, defesa e reta aplicação dos princípios cristãos aos problemas de nosso tempo, segundo a mente da Igreja.
Instauração cristã da ordem temporal
7. A vontade de Deus com respeito ao mundo é que os homens, em boa harmonia, edifiquem a ordem temporal e a aperfeiçoem constantemente.
Todas as realidades que constituem a ordem temporal (os bens da vida e da família, a cultura, os bens econômicos, as artes e profissões, as instituições políticas, as relações internacionais e outras semelhantes, bem como a sua evolução e progresso) não só são meios para o fim último do homem, mas possuem valor próprio, que vem de Deus: “e viu Deus todas as coisas que fizera, e eram todas muito boas” (Gn 1, 31). Esta bondade natural das coisas adquire uma dignidade especial pela sua relação com a pessoa humana, para cujo serviço foram criadas. 
O uso das coisas temporais foi, no decurso da história, manchado com graves abusos. É que os homens, atingidos pelo pecado original, caíram muitas vezes em muitos erros acerca do verdadeiro Deus, da natureza do homem e dos princípios da lei moral. Daí a corrupção dos costumes e das instituições humanas. Também em nossos dias, não poucos, confiando em excesso no progresso das ciências naturais e da técnica, caem numa espécie de idolatria das coisas materiais, das quais em vez de senhores se tornam escravos.
Quanto aos leigos, devem eles assumir como encargo próprio seu essa edificação da ordem temporal e agir nela de modo direto e definido, guiados pela luz do Evangelho e a mente da Igreja e movidos pela caridade cristã; enquanto cidadãos, cooperar com os demais com a sua competência específica e a própria responsabilidade; buscando sempre e em todas as coisas a justiça do reino de Deus. 
A ação caritativa como distintivo do apostolado cristão
8. Cristo quis que as obras de caridade fossem sinais da sua missão messiânica (Mt 11, 4-5). A misericórdia para com os pobres e enfermos e as chamadas obras de caridade e de mútuo auxílio para socorrer as múltiplas necessidades humanas são pela Igreja honradas de modo especial.
O maior mandamento da lei é amar a Deus de todo o coração, e ao próximo como a si mesmo (Mt 22, 37-40). Cristo fez deste mandamento do amor para com o próximo o seu mandamento, e enriqueceu-o com novo significado, identificando-se aos irmãos como objeto da caridade, dizendo: “sempre que o fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes” (Mt 25, 40). Assumindo a natureza humana, Ele uniu a si como família todos os homens e fez da caridade o sinal dos seus discípulos, com estas palavras: “nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (Jo 13, 35).
Estas obras se tornaram urgentes no nosso tempo, em que os meios de comunicação são mais rápidos, em que quase se venceu a distância entre os homens e os habitantes de toda a terra se tornaram membros em certo modo duma só família. A atividade caritativa deve atingir as necessidades de todos os homens a quem faltam sustento, vestuário, casa, remédios, trabalho, instrução, meios para uma vida digna, afligidos por desgraças, doenças, exílio ou a prisão. 
Este exercício da caridade deve considerar a imagem de Cristo, atendendo com grande delicadeza à liberdade e dignidade da pessoa que recebe o auxílio; não se deixe manchar a pureza de intenção com qualquer busca do próprio interesse ou desejo de domínios; satisfaçam-se antes de mais as exigências da justiça, nem se ofereça como dom da caridade aquilo que já é devido a título de justiça; suprimam-se as causas dos males, e não apenas os seus efeitos; e de tal modo se preste a ajuda que os que a recebem se libertem a pouco e pouco da dependência alheia e se bastem a si mesmos.

A mística da Formação Fundamental

Por que buscar na conhecida cena evangélica da caminhada de Jesus Ressuscitado com os discípulos de Emaús (Lc 24,13-35) a inspiração básica que deve nortear nosso projeto de formação? Gostaríamos de justificar esta escolha, acentuando alguns aspectos da riqueza inesgotável que ali se encontra.



Como sabemos, Emaús começa como um caminho de fuga e deserção. Cléofas e seu companheiro (ou companheira) ficaram desiludidos, sem esperança, tristes, com o desfecho trágico da vida de Jesus. Seus olhos e seus corações estavam mergulhados na escuridão total e no fechamento da completa falta de fé. Não mais se entendiam. Cada qual tinha uma explicação diferente para os últimos acontecimentos. Haviam esbarrado no drama da cruz e não conseguiam digerir tamanho sofrimento e frustração . A única solução lhes parecia abandonar a comunidade de Jerusalém, esquecer todo aquele pesadelo e retomar a vida do passado. Jesus se tornara para eles um profeta fracassado, um semeador de sonhos... É fácil descobrir na experiência dos viajantes de Emaús o retrato das várias crises e desafios que os cristãos de todos os tempos e lugares são chamados a enfrentar, ao longo da caminhada de fé e da vivência em comunidade. Emaús, em seu lado dramático e sombrio, é um espelho no qual vemos refletidas muitas das angústias e incertezas que, por vezes, geram situações de desânimo e cansaço na vida de Igreja. Há pessoas que não conseguem lidar com tantos problemas e acabam se afastando.
Mas não é o aspecto negativo que a cena evangélica quer frisar. Pelo contrário, as sombras ajudam a realçar o lado luminoso vivido pelos dois companheiros naquela que se tornou a experiência marcante do encontro e da presença do Senhor Ressuscitado. Quando ambos se achavam no fundo do poço, Jesus veio em busca deles e lhes ofereceu ajuda. Aos poucos, foi-se revelando como o verdadeiro intérprete dos acontecimentos lançou nova luz sobre a escuridão dos fatos. Sua explicação de tal forma foi convincente que o coração se lhes abrasou. A esperança renasceu. A fé brotou mais forte do que nunca. A vida comunitária recuperou seu sentido. Eles perceberam que valeria a pena voltar a ser discípulo... ''Fica conosco, Senhor!" Neste convite-pedido dos caminheiros de Emaús já estava presente, embora de maneira ainda velada e inconsciente, aquela necessidade que experimentavam da presença do Mestre, que lhes daria apoio e orientação em sua busca do sentido da vida e no desejo de comunhão com Deus. É interessante que o verbo "ficar", aqui utilizado, é um dos verbos para descrever o discipulado, o seguimento de Jesus nos evangelhos. Talvez isso seja indício de uma certa ironia do narrador. Os dois que queriam distância de Jesus sem saber estariam pedindo a Ele a graça de voltarem a ser discípulos.
É esta "graça" do discipulado que nós desejamos favorecer na experiência de fé. Seguir Jesus, construindo o Reino de Deus, deve ser para nós um privilégio, uma oportunidade singular de crescimento e amadurecimento. Na vida cristã não basta fazer coisas, ser um tarefeiro do sagrado, um funcionário especializado em evangelização. Importa, antes de tudo, 'estar com Jesus' (cf. Mc 3,14), partilhar sua intimidade: ''fica conosco!". É preciso percorrer um caminho com o Mestre, acolher suas orientações e escutar sua proposta: "eu não chamo vocês de empregados, mas de amigos" (Jo 15,15). Emaús é um convite a perseverar no discipulado, a aprofundar o relacionamento com Cristo para não se frustrar diante dos embates e desilusões da vida. "Fica conosco" brota da necessidade de investir sempre mais nas estratégias de uma nova evangelização, alicerçada nas atitudes de Jesus com os discípulos de Emaús: partilhar o caminho (acertar o passo), ser presença comprometida e discreta, investir no diálogo e na escuta, participar da intimidade, alimentar o outro com a palavra e o dom de si, orientar para o valor da comunidade e da missão.
Sem dúvida, há um longo caminho a ser trilhado, que poderá trazer muitos frutos para uma vivência cristã mais madura e qualificada. (Extraído do Subsídio Revelação e Bíblia do Mons. Celso Murilo)

domingo, 9 de março de 2014

2. Breve história da teologia

2.1. Caracterização da "teologia originante"
O sujeito da teologia (evangelista ou autor de epístola), protagonista da reflexão de fé, dirige-se a uma comunidade cristã concreta ou grupo de comunidades. Enquanto anúncio, os escritos do Novo Testamento também se destinam aos que estão fora da comunidade desde que predispostos a aderir ao grupo dos seguidores de Jesus. Longe de ser reflexão acadêmica e especulativa, expressam os resultados da experiência cristã fundante, pretendem suscitar e alimentar a fé.
Conhecemos os diferentes estilos desta reflexão: teologia narrativa dos evangelhos e Atos, literatura epistolar e apocalíptica. Em seu núcleo conjugam-se fato e interpretação, compreensão e anúncio sob notório influxo do judaísmo. Lentamente, a comunidade de fé se,desprega da religião de Israel, mas esta permanece o ponto de referencia básica.
Sinteticamente, a teologia fontal do Novo Testamento pode ser caracterizada como:
- Pneumática, embebida pelo Espírito que suscita a continuidade dos seguidores de Jesus;
- Eclesial, nascida no seio vivo de uma comunidade a caminho e referida a ela;
- Missionária: destinada a transmitir e recriar a fé cristã;
- Vivencial: repleta de sentimentos, conotações afetivas e força convocatória, proveniente da experiência de seguimento do ressuscitado;
- Contextualizada na história da comunidade em que foi elaborada. Não retrata desejo explícito de fazer reflexão única e universal válida igualmente para todos. Como "anamnese da Palavra" torna presente o dado revelado em diversas situações. Cria unidade como solidariedade entre os diferentes;
- Aberta ao futuro, estimulando assim interpretações enriquecedoras, novas releituras situadas.
2.2. A teologia simbólica da patrística
A teologia patrística abarca o período de seis séculos, compreendendo desde a geração imediatamente posterior aos apóstolos até a dos que prepararam a teologia medieval.
O princípio patrístico "Crer para entender, entender para crer" ilumina este momento teológico. Recusa-se separar inteligência e fé, reflexão e caridade vivida, conhecimento profano do mundo e conhecimento esperançado à luz da revelação. Compreender e crer condicionam-se mutuamente. Os padres veem a teologia como "anagogia", subida rumo ao mistério divino.
"A partir da Natureza, a partir da história ou da Escritura ou da Liturgia, do que quer que fosse, a razão tendia, no mesmo impulso, rumo a inteligência espiritual, sempre à luz do Verbo e sob a moção do Espírito (...) A inteligência é assumida plenamente no dinamismo da fé, como inteligência crente, pela qual Deus não é somente objeto de conhecimento, mas fonte e termo do amor, que abraça toda a vida (...) Trata-se de teologia espiritual e ascendente, alimentada pela experiência intensa do mistério proclamado, celebrado e vivido, exercitada na leitura do texto sagrado e das realidades mundanas em perspectivas unitárias e totalizantes".
Os protagonistas da teologia patrística, bispos, sacerdotes e leigos, elaboram reflexão de fé de cunho predominantemente pastoral. Grande parte dos "Padres" são pastores em constante e fecundo contato com a experiência litúrgica e espiritual da comunidade eclesial. O material, hoje disponível, provém de diversas fontes: homilias, textos litúrgicos, comentários de textos da Escritura, textos de catequese, obras de caráter polêmico, etc. Embora a maioria dos escritos seja dirigida a comunidade cristã, alguns se voltam para a "intelectualidade" da época. No início do sec. III, formam-se "escolas teológicas". As mais conhecidas foram as de Antioquia e Alexandria, rivais entre si. Enquanto a primeira tendia à exegese literal da Escritura, na segunda predominava o sentido espiritual. A reflexão de fé dos padres é marcadamente bíblica, litúrgica, crístico-eclesial, inculturada e plural.


2.3. Características da teologia escolástica
Obedecendo à dinâmica de sua experiência interior, simultaneamente espiritual e intelectual, Tomás de Aquino empreende duas operações de imenso alcance: a assimilacio de Aristóteles e a recriacio dos elementos tradicionais da fé e da cultura cristãs, a partir da herança bíblica, patrística e filosófica (especialmente neoplatônica e aristotélica) que chegaram até ele. Mantém a princípio o contato com a Escritura e a espiritualidade. O alto grau de especulação intelectual não o distancia da experiência mística e da prática da caridade. A escolástica tardia, infelizmente, favoreceu este distanciamento.
A escolástica elabora a teologia no interior de círculo cultural particular e homogêneo, típico da cristandade. A conciliação entre a fé e a razão reflete-se no fato de os intelectuais serem religiosos, pessoas de fé. Assim, a filosofia não serve para buscar a verdade, mas para demonstra-la. A teologia escolástica medieval contribui singularmente para o processo de interpretação da fé. Ao passar dos símbolos e analogias para o conceito, imprime rigor teórico ao ato de pensar a fé. Ao utilizar lógica estrita, servindo-se de método dedutivo e articulando categorias abrangentes, ganha cidadania no âmbito do pensamento articulado pela razão.
A escolástica é tributária do ideal de saber e de ciência proveniente da filosofia aristotélica. Compartilha de seus limites: "Forte conceitualismo, racionalismo, essencialismo, metafisicismo, abstratismo, tendência ao dedutivismo, a-historicismo". Por considerar objeto da ciência somente as coisas necessárias e universais, exclui as necessárias e contingentes, ignorando assim o lado concreto, histórico, experimental, pessoal e relativo do ser. A matriz "ser-essência" que subjaz ao aristotelismo e à escolástica, se articula em esquema dual, que produz nefastos dualismos na vida de fé e suas expressões. A ênfase no momento científico-racional da fé favorece a separação crescente da teologia com a espiritualidade, liturgia, Escritura e vida da Igreja. A distinção conduz a dilaceração.

2.4. Características da teologia na idade moderna
A teologia hegemônica neste período caracteriza-se, antes de tudo, por sua submissão ao magistério. Este ganha sempre mais poder na Igreja, ao mesmo tempo que é fortemente questionado fora dela. A teologia arvora-se em grande arma do magistério para combater as heresias e eliminar o dissenso no interior da Igreja. Especializa-se nas tarefas de expor, definir, defender, provar e confirmar a fé ortodoxa examinar e condenar os erros. Deixa sua função de pesquisa para se tornar exposição autoritativa da doutrina. Sentem-se menos responsáveis pela intelecção cristã do que pela definição doutrinal e rigor da ortodoxia.
O primeiro destinatário da teologia passa a ser quase exclusivamente o clérigo, religioso ou diocesano. Com a regulamentação dos seminários, após o Concílio de Trento, a teologia torna-se curso obrigatório para a formação sacerdotal, de modo que os teólogos, praticamente todos do clero, elaboram um saber em vista da formação dos futuros sacerdotes. A teologia se desenvolve sobretudo em três grandes áreas: fundamental, dogmática e moral. Na fundamental, prevalece a apologética, cujas demonstrações não visam suscitar a fé, mas sim mostrar a credibilidade do testemunho dado a revelação por Jesus Cristo e sua Igreja.  A moral se estrutura sobretudo a partir da lei (divina, natural e positiva) e dos dez mandamentos.
Os manuais de teologia dogmática, por sua vez, seguem o método regressivo. Partem de uma tese, remetendo-a ao ensinamento atual do magistério eclesiástico. Tratam de prová-la, ao mostrar como este ensinamento está expresso originalmente na Escritura, em perfeita continuidade, presente nas expressões de fé católica patrística e medieval. Para enfrentar o racionalismo moderno, a teologia assume cada vez mais certo rigor científico no âmbito da concepção aristotélico-tomista de ciência. A clareza conceitual associa-se a certo "objetivismo" nas verdades de fé. Cresce assim o abismo em relação à espiritualidade.
O discurso teológico trabalha somente a dimensão cognitiva da fé, relegando a segundo plano seu aspecto existencial e celebrativo. A teologia, ministrada preferentemente nos seminários, isola-se das questões cotidianas do mundo secular. Imune de seu contágio, privada de
suas perguntas fertilizadoras, ela não consegue descobrir os sinais de Deus fora dos muros da Igreja.  A uniformização da teologia, a partir das instancias centralizadoras, cria a ilusão de que existe uma "teologia universal", elaborada nos frios e precisos laboratórios romanos.

2.5. A teologia em mudança na contemporaneidade
Ao defrontarmo-nos com um quadro tão cinzento, perguntamos como foi possível então a mudança da teologia, cujo marco inequívoco foi o Concilio Vaticano II?
Grande criatividade marca os 20 anos que antecederam o Concílio. A semente foi plantada, cultivada e produziu muitos frutos para a Igreja, principalmente no que se refere ao diálogo com o mundo contemporâneo.

2.6. A teologia da libertação na América Latina
A TdL diferencia-se das outras teologias. Não porque não se refira a Revelação. Nisso todas as teologias se igualam. Mas porque essa referencia se faz a partir de uma situação nova, diferente: a de nosso continente cristão, sob a tensão da dominação e da libertação.
I. Pontos de partida
Toda nova teologia nasce de novas perguntas, de dentro de um contexto sociocultural novo. Mas, antes de tudo, nasce de uma experiência de Deus que a alimenta em toda trajetória teórica. Uma teologia não se reduz a simples atividade intelectual individual. A TdL lança suas raízes no solo experiencial e eclesial da presença de Deus no pobre, no explorado e em sua luta pela libertação. Deus não se silencia totalmente na face machucada do pobre, mas manifesta-se operoso na ação fraterna de libertação. Par isso, a TdL arranca sobretudo da vivência do povo oprimido, dominado, empobrecido, que toma consciência de sua situação de miséria e se organiza para realizar o projeto de Deus sobre a humanidade: viver em fraternidade, em justiça, em dignidade.
O esquecimento dessa experiência-fonte da TdL pode levar seja a confundí-la com determinada prática libertadora - redução política - seja a descolá-la dessa experiência concreta e transformá-la em bandeira ideológica de alguma causa. A TdL renova-se e purifica-se continuamente ao voltar-se à experiência-base da presença de Deus no pobre e em sua luta. Se se desliga dela, assume o papel de pura ideologia; se não se identifica com determinada prática concreta, converte-se em puro empirismo, ativismo, pragmatismo. A TdL é a face teórico-crítica da prática da caridade libertadora. Sem ela, a prática perde lucidez. Sem a prática da caridade ela se esvazia. Soa como pura palavra sem força, sem consistência.
II. Teologia da libertação e práxis
Resumindo de modo didático, a TdL é uma:
a. Teologia da práxis: pois esta teologia haure seu material de reflexão da prática intrateológica, ou intraeclesial ou sociopolítica. A prática oferece a matéria-prima da TdL.
b. Teologia para a práxis: o produto teológico, o fruto da elaboração teológica - confronto do material assumido da prática com a Revelação - se orienta a iluminar a pratica teológica intraeclesial ou sociopolítica. Devolve-se à prática do fiel ou do cidadão o material assumido da pratica depois de ter sido trabalhado sob o angulo especificamente teológico, isto é, à luz da Revelação.
c. Teologia na práxis: o teólogo que faz a reflexão deve, de certo modo, estar articulado com a prática que reflete e para a qual reflete. Supõe-se dele uma opção de compromisso com a prática libertadora dos pobres. Opção que deve ultrapassar simplesmente o interior do coração para concretizar-se num mínimo de prática concreta de libertação junto aos pobres.
d. Teologia pela práxis: uma vez terminada a tarefa teológica de ter interpretado à luz da revelação as práticas pastorais e sociais e ter devolvido o produto teológico aos interessados, estes submetem-no a sua crítica. A prática deles julga se a tarefa teológica foi bem executada ou não. Se a teologia ajuda o processo de libertação dos pobres em seu verdadeiro sentido concreto e a manutenção dos valores ela é boa teologia. Claro que esta não deve ser entendida unicamente como eficiência prática, mas também, e de modo especial, como conservação da fé nessa prática.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

1. Por que estudar Teologia?

“Tira as sandálias dos teus pés, porque este lugar em que estás é uma terra santa” (Ex 3,5)

Introdução
1. Todo saber tem seu mistério.
2. O estudo da teologia hoje navega por mares bravios, diferente dos tempos da cristandade.
3. O estudante é chamado a uma tarefa exigente: refazer esquemas e linguagens de forma que comunique hoje os conteúdos essenciais da fé.
4. Estudo marcado por 2 momentos:
1) estar no meio das pessoas ouvindo suas angústias e incompreensões;
2) estar no silêncio do quarto pensando o que foi dito, ouvido, rezado.
 1.1. O contexto teológico atual
1. Ela estabelece relação de vida com os leitores e estudantes.
2. A complexidade e as dificuldades da vida assinalam situações cada vez mais problemáticas para a fé do cristão. Sem avançar nos estudos de sua fé, ele se sentira cada vez menos capaz para dar conta desse novo contexto cultural.
3. O pluralismo apresenta-se para a teologia como chance e desafio: chance de se expor em diversos ambientes, atingir diferentes públicos; desafio a se comunicar com diferentes interesses sem trair sua fidelidade fundamental à revelação. (diálogo ecumênico, interreligioso, cultural)
4. Função da teologia: ajudar o cristão a se libertar dos entraves conceituais e tomar decisões corretas na prática pastoral.
5. O futuro da teologia e da pastoral vai depender de sua capacidade de criar novas formas de interação com seu contexto.
6. A teologia difere das outras ciências no sentido de querer ser mais companheira do que objeto a ser conhecido.
7. “Prefiro não refletir sobre a fé, para não perdê-la”.
8. Distância entre teologia e pastoral.
9. Teologia (theós+logía): etimologicamente significa “um discurso, uma palavra, uma ciência de ou sobre Deus”.
10. O ser humano quer compreender a sua fé. pela fé, ele lança porte intermédia que o liga a Deus. Não quer fazer qualquer estudo de Deus. Mas intenta aprofundar, justificar, esclarecer seu ato de fé nele. Portanto, a teologia define-se como reflexão crítica, sistemática sobre a intelecção de fé. E a fé termina em Deus e não nos enunciados a respeito de Deus.
11. 2 dimensões da fé: “fides qua”: ato de entrega livre à Palavra revelada e comunicada pela Igreja; “fides quae”: reconhecimento da força dessa Palavra e adesão de vida conforme ela orienta. Ou seja, sem fé não se faz teologia.

1.2. Teologia e pastoral: perspectivas distintas
Teologia e pastoral, duas grandezas distintas, põem-se a serviço da mesma causa: o processo evangelizador. Contudo, no curso de teologia, ambas as instâncias estão em contínua tensão. Cada uma delas apresenta natureza própria, disputando com a outra o tempo, o empenho e a energia do estudante.
I. Colaboração recíproca
Ambas se interpenetram e prestam ajuda recíproca. A teologia ilumina a pastoral, fornecendo conceitos e categorias que ajudam a fé a purificar-se de concepções ultrapassadas, insuficientes ou demasiadamente marcadas par ideologias que a condicionam de forma negativa. Fornece instrumental teórico que auxilia a compreensão e reinterpretação sempre atuais dos dados da fé. Ao mesmo tempo, mune a prática pastoral de chaves de intelecção que fornecem as condições para se ler, à luz da fé, qualquer realidade humana: o trabalho, o lazer, a sexualidade, a ecologia, etc.
A pastoral ilumina a teologia enquanto levanta perguntas que lhe possibilitam aprofundar a intelecção do dado revelado. Por exemplo: o compromisso e solidariedade com os pobres e oprimidos gera a pergunta sobre a repercussão social da automanifestação de Deus e a respectiva resposta humana. As questões culturais, levantadas pelos afro-americanos, interrogam a liturgia, a teologia das religiões, o conteúdo de outros tratados teológicos e até a forma de falar sobre Deus. Efeito semelhante tem o crescente protagonismo das mulheres, dos jovens, o engajamento de cristãos nos diferentes movimentos da igreja. A realidade, filtrada nas pastorais e movimentos, estimula a busca de novos instrumentais teológicos. Modelos de Igreja, mais condizentes com novos desafios de determinado contexto sociocultural, criam condições para emergência de novas "matrizes teológicas", com seus paradigmas correspondentes. Por fim, a prática pastoral, estendida à atuação sociopolítica que extrapola o âmbito eclesial, constitui um critério de verificação da pertinência de determinada reflexão teológica.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Aula inaugural dia 18 de fevereiro de 2014

       
Teve início na noite da última terça-feira, 18 de fevereiro de 2014, a Escola Paroquial da Fé, Iniciada com a Celebraçao Eucarística.
160 pessoas se inscreveram e marcaram presença na aula inaugural. Trata-se de um projeto de formação permanente para leigos e agentes de pastoral organizado em sistema de módulos temáticos abordando temas sobre Teologia, Bíblia, Espiritualidade, Liturgia, Fé, Igreja... que serão alternados semestralmente. Este espaço de reflexão destina-se a ajudar as pessoas a conhecerem melhor os fundamentos da fé e da vida cristã.
“A complexidade do cenário religioso e as transformações sociais, inclusive com forte apelo a uma “cultura de morte”, estão a provocar situações novas e desafiantes à pastoral. Assim, a busca de um aprofundamento da fé surge da necessidade de lucidez em tal contexto. Exige-se do cristão maior preparo, antes de tudo, a respeito de sua própria fé. O apóstolo S. Pedro recomenda que os batizados devem “estar sempre prontos a dar razão da sua esperança a todo aquele que a pedir” (1Pd 3,15). O que significa ter fé? Porque cremos e onde está baseada a nossa fé católica? Em que, de fato, nós católicos cremos? Como devemos rezar e viver neste mundo?”, afirmou Pe. Edir justificando a motivação para esse projeto.

A Escola Paroquial da Fé tem como objetivos: 1) Ser instrumento de formação permanente para os católicos e, especialmente, as nossas lideranças de pastorais e movimentos; 1.1) Conhecer melhor as origens e os fundamentos de nossa fé e de nossa pertença à Igreja Católica, juntamente com um aprofundamento nas Sagradas Escrituras, Palavra de Deus, que é fonte de vida e oportunidade de nos aproximarmos mais do mistério divino revelado em Jesus Cristo; 1.2) Discutir as questões e buscar encontrar caminhos que respondam ao anseio manifestado muitas vezes por pessoas que, confrontadas com o grande volume de informações e afirmações sobre religião, fé e moral, nem sempre conseguem ter clareza sobre a própria fé católica.
“Nossa fé é um dom precioso de Deus, que só conseguimos apreciar e valorizar devidamente se o conhecermos melhor. A consciência das origens e dos fundamentos de nossa fé e de nossa pertença à Igreja Católica nos faz reencontrar a alegria de sermos cristãos. É importante dar-nos conta de que não estamos sozinhos na nossa fé: cremos com os apóstolos, os mártires, os santos e servidores do povo de Deus do passado e do presente, com o Papa e os Bispos, com tantos irmãos espalhados pelo mundo inteiro, no passado e no presente. É graça de Deus crer com toda a Igreja e como a Igreja crê”, finalizou o Pe. Edir.




terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

COMEÇA dia 18 de FEVEREIRO


Terá início a Escola Paroquial da Fé, dia 18 de fevereiro de 2014, às 19h30, na Matriz de São João Batista.
Venha participar conosco também da Celebração Eucarística às 19h.

Não perca tempo, faça sua inscrição e participe. Você quer conhecer melhor a sua fé? Essa é a oportunidade.

Esse é um espaço de formação destinado aos agentes  de pastoral da Paróquia, mas também a todas as pessoas interessadas em aprofundar seus conhecimentos nos estudos bíblicos, nas questões da fé, na organização da nossa Igreja, para participarmos melhor e mais ativamente!

Daremos início aos encontros formativos com três seminários consecutivos: dias 18, 19 e 20 de fevereiro de 19h30 às 21h, onde trataremos das questões introdutórias do nosso estudo.

Posteriormente, continuaremos toda quinta-feira no mesmo horário (19h30 às 21h), alternando os temas de introdução à bíblia e dos ministérios leigos. Estas 2 temáticas ocuparão nossa atenção nesse 1º semestre.

Bem-vindo, a Escola da Fé é para você que quer crescer!